
No dia 7 de abril celebramos o Dia Mundial da Saúde. Uma data que, para muitos, passa despercebida. Mas para mim, carrega um significado profundo. Eu confesso: até receber o diagnóstico de tuberculose, há pouco mais de 10 anos, eu acreditava que saúde era simplesmente ausência de doença. Se não havia diagnóstico, eu estava “bem”. Essa era minha lógica.
Curiosamente, essa visão foi a mesma que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) sustentou até 1946. Só então a definição mudou para algo muito maior: saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Eu estava atrasada, mas não estava sozinha.

Se voltarmos ainda mais no tempo, antes da OMS, encontramos a origem da palavra.
“Saúde” vem do latim salus, salutis, que significa salvação, integridade, bem-estar. Desde sua raiz, o termo esteve conectado à vida em plenitude, à força e ao vigor, e não ao universo da doença. Ou seja, falar de saúde deveria ser falar de preservação da vida, de energia vital, de equilíbrio. Essa etimologia nos lembra que saúde é presença, não ausência. Presença de quê? Presença de si mesmo. Não deveria ser sobre remediar, e sim sobre cuidar. Olhar, perceber e ler os sinais. Afinal, quando adoecemos, muitas vezes é porque estamos ausentes de nós mesmos. Ultrapassamos algum limite interno, esvaziamos ou sobrecarregamos algum espaço emocional, mental, físico ou espiritual.
Já pensou sobre isso? Reflete comigo: pense em um momento seu de adoecimento e investigue. Onde você estava ausente de si?
O corpo fala
Cada vez mais somos atraídos e distraídos para fora, perdendo a conexão interna, aquela bússola que nos orienta. O corpo, no entanto, fala o tempo inteiro. Ele dá sinais, mas a maior parte da sociedade não foi educada para sentir, reconhecer e nomear o que acontece dentro de si. Falta letramento emocional. Quando você sente raiva, não é só a mente que sente: seu fígado sente raiva, seu coração sente raiva. Quando você sente alegria, cada órgão vibra alegria. A ausência de saúde, muitas vezes, nasce nesse campo sutil. Por isso insisto: autoconhecimento é saúde. Quem se percebe, quem se reconhece, escolhe melhor para si.
Emoções e neurociência
Estudos da neurociência comprovam que as emoções não ficam restritas à mente: elas percorrem todo o corpo e afetam diretamente os órgãos. Quando sentimos raiva, alegria, medo ou tristeza, o cérebro aciona uma cascata de reações químicas e elétricas que envolvem neurotransmissores, hormônios e o sistema nervoso autônomo, influenciando o funcionamento de cada parte do organismo. Pesquisas mostram que cada emoção desencadeia uma resposta física que percorre todos os órgãos. E quando suprimimos emoções, tentando escondê-las ou bloqueá-las, elas não desaparecem. Ao contrário: ficam registradas no corpo e podem se manifestar em sintomas físicos ou comportamentos disfuncionais.
“A neurociência já comprovou: cada emoção que você sente, seu corpo inteiro sente junto.”
Sendo assim, te pergunto: como você tem cuidado das suas emoções?
Minha jornada

Falo com propriedade porque vivi na prática e depois passei a buscar entendimento para os sinais e resultados que o corpo manifestava. Minha vida foi marcada por emoções reprimidas e uma profunda desconexão do meu sentir. Desde criança, eu estava sempre doente — todo mês na emergência. Na adolescência, a história se repetia. Até que, aos 31 anos, veio a tuberculose. Foi nesse momento que decidi mergulhar no autoconhecimento. Passei a investigar as causas das minhas doenças, a conhecer meu corpo, minha mente, a nomear as emoções que me atravessavam. Descobri que saúde não é apenas ausência de diagnóstico, mas presença de atenção e consciência.
Hoje eu sei quando meu sistema imunológico está mais frágil, quando estou na “linha de frente” para possivelmente adoecer. E o resultado? Não fico doente há anos. Isso porque cultivo um estado de atenção permanente e vivo no autocuidado. Não é sobre remediar. É sobre prevenir. É sobre estar presente em mim mesma, ouvindo os sinais do corpo e respeitando meus limites.
Saúde exige protagonismo

Hoje, como mentora e facilitadora de retiros de autoconhecimento, percebo o quanto uma visão limitada sobre saúde ainda persiste. Muitos participantes afirmam ter “boa saúde”, mas relatam que dormem mal, vivem cansados e não têm tempo para si.
Reflita comigo:
- É possível ser saudável sem dormir bem?
- É possível ser saudável vivendo em exaustão?
- É possível estar saudável sem entrar em contato com o que se sente?
Essa desconexão se mostra latente nas relações médico-paciente, onde o paciente terceiriza a responsabilidade. Mas saúde exige protagonismo: relatar como nos sentimos, nomear emoções, observar sono, digestão, energia. Se você não se conhece, como o médico vai lhe conhecer melhor?
Como disse Virgílio, poeta romano:
“A saúde é a maior riqueza do ser humano.”
Sem ela, todas as outras conquistas perdem sentido.
Nos últimos anos, uma mudança de mentalidade vem acontecendo: antes a saúde era centrada em tratar doenças; agora, o foco está em evitar que elas apareçam.
Práticas de autocuidado, nutrição equilibrada, sono de qualidade, relações sociais saudáveis e saúde mental passaram a ser reconhecidas como pilares da saúde.
Em torno desse movimento nasceu o mercado wellness, que virou tendência e até moda.
São práticas, produtos e experiências que prometem saúde e bem-estar. Mas é preciso consciência: nem tudo que se vende como “saudável” realmente nos faz bem.
De novo, o centro deve ser você. O que faz sentido para o outro pode não fazer para você.
Autoconhecimento é filtro.

Você está vivendo de forma saudável ou apenas sobrevivendo sem diagnósticos?
Esse foi mais um texto da série “Conexões com Rosane Ventura”, toda semana com novos conteúdos nos canais da plataforma Aquarius. Prepare-se para mergulhar ainda mais fundo nessa jornada de autoconhecimento, saúde, bem-estar e espiritualidade.
E se precisar de ajuda, conte comigo:
Rosane Ventura, especialista em saúde mental.
Amém, Shalom, Axé e Namaste.
